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O mercado diante de novos valores

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Estamos em um momento de transformações profundas no capitalismo. Após a atual crise, o mundo caminhará para uma nova forma de pensar o conceito de riqueza e funcionamento da economia. Não pode haver crescimento econômico somente para uma minoria, sem reflexos na inclusão social, no desenvolvimento socioeconômico, no equilíbrio ambiental e na democratização das oportunidades.

Em sociedades onde o capitalismo tem um viés social forte, a possibilidade das empresas crescerem e distribuírem suas riquezas, preservando o meio ambiente, é bem maior. A sociedade tende a ficar cada vez mais informada, exigente e participativa quanto ao papel das empresas no contexto social em que estão inseridas. As empresas são micro-sistemas sociais e precisam agir à altura de seus desafios. Demonstrar transparência na comunicação, respeito às pessoas e ao mercado, responsabilidade ambiental, em todo o ciclo de desenvolvimento de seu negócio, é mais que um compromisso. É uma rota que as empresas não podem ignorar no caminho para o sucesso.

As ações de responsabilidade e preservação do meio deixam de ser apenas exigências das normas ambientais vigentes, e ganham espaço como diferenciais competitivos das empresas. E a boa notícia é que há, cada vez mais, a presença crescente de pequenas e médias empresas competitivas e com orientação para o desenvolvimento sustentável.

Acreditamos que as instituições devem pensar nessas questões de duas formas: vale muito mais a pena crescer de forma sustentável, includente e ética, em vez de, simplesmente, acumular riquezas de uma forma predatória, exploradora e irresponsável. Para que tenhamos um mundo mais humanizado, harmônico, com menos violência e mais justiça social, as empresas devem assumir compromissos além dos lucros.

Por outro lado, as empresas têm de enxergar o benefício financeiro que essa atitude eticamente responsável traz. Quanto melhor for sua reputação, mais valor para o seu negócio, serviço ou produto. Para aqueles empresários que ainda não começaram a praticar em suas empresas atividades em sintonia com as exigências ambientais, eu pergunto o seguinte: como pretendem crescer? Para onde querem levar sua empresa e que valores devem passar à sociedade?

É urgente que se faça uma revisão dos processos produtivos, das rotinas de trabalho, das formas de uso e aproveitamento dos recursos energéticos. Ou seja, fazer um check-up socioambiental interno para conhecer os verdadeiros impactos que a empresa causa ao planeta. Além da parte operacional desse check-up, é preciso que as empresas pensem como micro-sistemas sociais. Seus funcionários devem ser vistos como agentes do desenvolvimento econômico sustentável. São eles que levarão para suas famílias e comunidades conhecimentos e aprendizados que podem contribuir para um melhor entendimento da responsabilidade de cada um nos cuidados com o planeta e com as gerações futuras. Um simples exemplo de como devemos tratar os resíduos pós-consumo pode ter efeitos multiplicadores extremamente positivos.

Os interessados em promover esse tipo de mudança estrutural e comportamental dentro das companhias, com vistas para uma competitividade mais sustentável, encontram empresas e consultores no mercado com excelente know how para apoiá-los, tanto nas orientações iniciais, quanto na implementação e desenvolvimento dessas competências. O Brasil já conta com exemplos de empresas que se reinventaram com uma nova postura diante da sociedade.

Não é simplesmente um ato que muda os valores de uma empresa, mas sim todo um conjunto. Compartilhar conhecimento com os funcionários, chamá-los à responsabilidade de desenvolver um negócio sustentável, ter um diálogo franco e aberto, investir em pesquisa e desenvolvimento e em infraestrutura operacional, adequar a produção às normas em vigor, gerenciar seus resíduos e pensar o negócio com visão de longo prazo. O importante não é a empresa gritar ao quatro cantos que atua de maneira responsável em relação ao meio ambiente. O importante é que a empresa veja sustentabilidade como plataforma de discurso e prática.

Maurício Silva é economista e diretor-executivo da Femma – Gestão de Resíduos Industriais e Educação Ambiental.

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