-A +A
Paulo Afonso destaca cenário industrial goiano
Perfil
Paulo Afonso Ferreira é natural de Bela Vista-GO. Formou-se em Engenharia Civil pela UNB e atua nos setores industrial, agroindustrial, construção civil e agropecuária. Foi presidente da Associação Goiana de Empresas de Engenharia e do Sinduscon-GO; vice-presidente e diretor da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC); vice-presidente da FIEG, sendo seu atual presidente. Ocupa, ainda, os cargos de diretor secretário da CNI e diretor nacional do IEL. Participa de dezenas de conselhos, comissões e outras representações em instituições e empresas diversas, de âmbito estadual e nacional.
Portal Indústria Brasileira- Abordando a parte institucional e atuação da entidade, que tipo de orientação os associados recebem nos âmbitos jurídico e econômico?
Paulo Afonso Ferreira- Os associados da Federação das Indústrias são os 35 sindicatos patronais filiados que formam sua base. Os esforços principais da FIEG são direcionados a apoiá-los na representação que exercem de seus respectivos segmentos industriais. Além disso, a federação apóia também as empresas no encaminhamento e na solução de seus problemas específicos, especialmente no relacionamento com os órgãos públicos federais, estaduais e municipais.
No desenvolvimento de seu trabalho, a FIEG prioriza a disseminação de informações de natureza técnica e econômica, com vistas a contribuir para o constante aperfeiçoamento da gestão e da produção. Nesse contexto, inserem-se os conselhos temáticos, constituídos por empresários, executivos e membros da academia, os quais têm como finalidade principal a discussão das questões estratégicas e operacionais, propondo à diretoria executiva a realização de ações que contribuam para a solução dos problemas detectados e para o crescimento da competitividade das empresas industriais.
Atualmente, estão em funcionamento dez conselhos temáticos, que tratam dos mais diversos temas de interesse da indústria, como: Infra-estrutura, Meio Ambiente, Economia e Tributos, Micro e Pequenas Empresas, Empreendedorismo Industrial, Responsabilidade Social Empresarial, Desenvolvimento e Inovação Tecnológica, Relações do Trabalho, Agronegócios, Comércio Exterior. Assim, as orientações repassadas a sindicatos e empresas nascem tanto do constante acompanhamento feito pela equipe técnica, quanto pelas decisões e recomendações emanadas dos conselhos temáticos.
Portal Indústria Brasileira- Quais as medidas estão sendo tomadas pela FIEG para amenizar os impactos causados pela crise no setor industrial goiano?
Paulo Afonso Ferreira- As medidas tomadas são de diferentes enfoques e abrangências. Como a crise é global e, no nosso caso nacional, as principais ações são tomadas em conjunto com a CNI, levando ao governo federal as sugestões e reivindicações do setor industrial. No final do ano passado, por exemplo, conseguimos a dilatação do prazo para recolhimento de tributos federais, agora estamos tentando o mesmo em âmbito estadual. Também temos conseguido maior aporte de recursos dos bancos federais para financiamento dos segmentos específicos mais impactados, como é o caso do setor automobilístico e da construção civil. Obtivemos também a redução temporária de alguns tributos, para estimular a queda de preços e, conseqüentemente, o aumento do consumo.
Em âmbito estadual, estamos trabalhando para manutenção do ritmo dos investimentos públicos, especialmente em infra-estrutura e habitação popular. Também estamos negociando a redução temporária de ICMS para os segmentos mais afetados e buscando a dilatação dos prazos para recolhimento do tributo, com vistas a fortalecer o capital de giro das empresas. Ainda postulamos maior capitalização da Agência de Goiana de Fomento e agilização na liberação de financiamento a pequenos mineradores com utilização dos recursos do Fundo Mineral.
Outra ação permanente da FIEG é o apoio dado às empresas, em forma de assessoramento ou suporte para negociação de situação conflituosa, quer no relacionamento entre segmentos industriais, ou na solução de questões de natureza político-tributária e ambiental.
Todas essas ações, reivindicadas conjuntamente pelo Fórum de Entidades Empresariais, certamente resultarão em menores impactos da crise para as empresas e preservação de empregos para os trabalhadores.
Portal Indústria Brasileira - As oscilações do dólar têm prejudicado as exportações brasileiras. Várias linhas de crédito têm sido anunciadas para impulsionar o comércio exterior. Na visão da FIEG, as ações são viáveis, em curto prazo, para as indústrias que enfrentam dificuldades?
Paulo Afonso Ferreira- As indústrias brasileiras são mais afetadas pela escassez do crédito no mercado internacional e pela redução de demanda do que pelas oscilações do dólar. Na verdade, essas oscilações afetam mais os custos de produção, em decorrência do aumento de preços dos produtos importados. Para os exportadores, a alta do dólar tem servido como alívio para que continuem competindo, mesmo em tempos de baixa de preços dos produtos no mercado internacional.
Quanto às linhas de crédito, trata-se de questão complexa, uma vez que os bancos – segmento onde se originou a crise mundial – reduziram drasticamente a disponibilidade de recursos para crédito às empresas e aos consumidores. O governo federal tem feito esforços no sentido de estimular a liberação de créditos por parte dos bancos oficiais, mas a situação ainda não está contornada. É preciso encontrar mecanismos para levar os bancos privados a aumentar efetivamente suas linhas de crédito e para isso o governo precisa reduzir a competição no mercado de crédito – como tomador – com a iniciativa privada.
Portal Indústria Brasileira- Dados publicados pela Secretaria da Indústria e Comércio mostram que as exportações goianas cresceram 28,5% em 2008, em relação a 2007. O setor de agronegócios influenciou esse saldo positivo. A FIEG acredita que os produtores manterão o índice este ano?
Paulo Afonso Ferreira- O agronegócio goiano tem crescido de forma exponencial, e isso não se refere apenas à produção agropecuária, mas principalmente à atividade industrial, que vem processando quantidades crescentes de matérias-primas produzidas em território goiano e nos Estados vizinhos.
Nossas exportações, em grande parte, incluem produtos de origem agropecuária industrializados ou semi-industrializados, como carnes, couros, derivados de soja, além de minerais processados ou semi-processados, e alguns produtos acabados como leite em pó, remédios e outros. Não podemos imaginar o dinamismo da economia goiana sem associá-lo ao agronegócio, mas nossa indústria já é bastante diversificada, e por isso diversifica-se também a pauta de exportações.
Para este ano, a expectativa é de que os resultados de nossa balança comercial sejam mais modestos. Primeiro porque os elevados preços de insumos na época de preparo do plantio deverão refletir no resultado final da safra. Além disso, seremos afetados pela queda da demanda internacional por commodities e pela redução dos preços internacionais.
Portal Indústria Brasileira- Para este ano, quais os projetos desenvolvidos pela FIEG para o incremento do setor industrial goiano?
Paulo Afonso Ferreira - É preciso esclarecer que a FIEG é parte componente de um sistema maior, composto pelos sindicatos, a própria Federação, o Sesi, o Senai, o IEL e o ICQ Brasil. Essas instituições, atuando em conjunto e lideradas pela Federação, têm grandes projetos em andamento para o ano de 2009.
Na área de formação profissional, o Senai está expandindo o número de vagas e colocando em prática a gratuidade do ensino para mais de 7 mil trabalhadores e adolescentes que pretendem ingressar no mercado de trabalho industrial. Também estamos elevando o nível de nossa formação, expandindo os cursos técnicos e tecnológicos, dentro de um amplo programa nacional denominado Educação para a Nova Indústria.
O Sesi continuará focado na oferta de uma educação geral de qualidade, também inserida no programa Educação para a Nova Indústria, além de atuar nas áreas de saúde, lazer e qualidade de vida do trabalhador industriário, fazendo jus a sua identidade de marca da responsabilidade social.
O IEL, que atua nas áreas de estágio, pesquisa, assessoria de gestão, dentre outras, desenvolverá programas de alto valor para as indústrias, como o Programa de Qualificação de Fornecedores, o Gestão de Talentos, a Interação Universidade-Empresa, a preparação de empresas para certificação de qualidade e conformidade.
O Instituto de Certificação Qualidade Brasil (ICQ Brasil) continuará seu programa de avaliação de conformidade e certificação de empresas e produtos em vários escopos, dentre eles as normas ISO 9000, o PBQPH e outros, sob concessão do Inmetro.
Finalmente, a FIEG, que além de exercer o papel de representação e defesa dos interesses do setor industrial, atuará no sentido de fortalecer as atividades sindicais patronais, por meio do Programa de Desenvolvimento Sindical, que já se encontra em andamento, da elaboração e acompanhamento do Mapa Estratégico da Indústria Goiana, da divulgação do papel da indústria no dia-a-dia da sociedade. Sempre apoiando e estimulando a ação sindical e o desenvolvimento da gestão empresarial.
Outra linha de trabalho que certamente merecerá atenção especial da FIEG é a revisão da política industrial do Estado, demandando a modernização dos instrumentos de incentivo e apoio às atividades industriais, com vistas a suprir possíveis perdas do programa Produzir, que poderão ocorrer em razão da reforma tributária, atualmente em tramitação no Congresso Nacional.
Atuação firme no sentido de melhorar a regulamentação das atividades produtivas, como as de natureza tributária, ambiental, trabalhista, e outras, também merecerão atenção especial da FIEG.
Trabalharemos, ainda, na realização de pesquisas e disseminação de informações úteis para as empresas, com propósito de melhorar o desempenho da gestão das indústrias e possibilitar maior aproveitamento das oportunidades, escassas neste tempo de crise.
Toda nossa atuação, entretanto, será pautada pela missão de promover o desenvolvimento social e econômico de Goiás, de forma sistêmica, contribuindo para a melhoria de qualidade de vida de todos os goianos.
Portal Indústria Brasileira - IB - Foto: Sílvio Simões - Por Andressa Nascimento