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Gestão do setor farmacêutico por meio de parcerias impulsiona crescimento
Em entrevista ao Portal Indústria Brasileira, Luis Madasi, sócio da PwC, explicou como as parcerias podem impulsionar as indústrias farmacêuticas em um modelo que abrange desde a pesquisa e desenvolvimento até a comercialização dos produtos.
A nova modalidade de gestão à frente dos negócios consta no cenário previsto pelos especialistas da PricewaterhouseCoopers no estudo Pharma 2020: Challenging business models. Ainda neste conceito abordado, as empresas terão de transferir o foco atual das vendas dos produtos para a gestão de suas descobertas e assim buscar maior produtividade na área de pesquisa e desenvolvimento, redução de custos e exploração do mercado sobretudo nos países emergentes.
Quanto a forma de concretização das parcerias no setor industrial farmacêutico, Madasi especificou que primeiramente estas são comerciais como distribuição e manufatura e posteriormente a consolidação por meio de M&A. Outro fator importante ressaltado é que mesmo a medida podendo ser praticada por grandes e pequenos laboratórios, os médios ainda possuem mais chances na comparação com os menores.
Entre os fatos do mercado farmacêutico que comprovam a tese levantada pela PwC está a aliança da americana Pfizer e sua concorrente britânica GlaxoSmithKline (GSK) por meio de uma nova empresa com atividades concentradas em pesquisa, desenvolvimento e comercialização como as relacionadas com o tratamento do vírus HIV.
Além disso, o setor foi surpreendido com as fusões e aquisições e a tendência é que estas continuem a ocorrer em paralelo às parcerias, fato que segundo a PwC proporciona maior flexibilidade e criação no valor no longo prazo.
Em relação a manutenção dos preços praticados ao consumidor final, a solução apontada pelo sócio da PwC é direcionada para as políticas de redução de custos e busca de sinergias.
Mesmo com a crise financeira, o estudo aponta que a realidade pode se tornar positiva e ainda alavancar as parcerias. O principal fator está associado as medidas tomadas pelo governo que poderá se estender além do setor de fármacos.
Por outro lado, as indústrias farmacêuticas têm um novo desafio a ser vencido. Trata-se da entrada de empresas que não pertencem ao segmento cada vez mais presentes como a Vodafone, por exemplo, que juntou forças com o provedor espanhol de serviços médicos por telefone, Medicronic Salud, e com o fabricante de aparelhos Aerotel Medical Systems para oferecer um serviço de monitoramento domiciliar sem fio. Além disso, a seguradora Prudential se aliou ao Virgin Active Health Club para oferecer uma apólice para doenças graves que inclui subsídio na matricula em academias de ginástica e redução no valor do prêmio aos que praticam exercícios regularmente.
O Portal Indústria Brasileira perguntou ao executivo da PwC quais as principais ameaças em relação a entrada de indústrias não farmacêuticas e as dificuldades a serem enfrentadas. " A principal ameaça é não se manter competitivo. Para tal, é necessário revisitar pesadas estruturas de custos, reduzir preços para abranger novos mercados/faixas da população, identificar oportunidades de parcerias/M&A para crescer e ganhar com escala, além da carga tributária elevada e o dólar eventualmente em nível inadequado para o tipo de indústria também não ajudam muito", contextualizou Madasi.
Por fim, Madasi abordou que a mudança no perfil do modelo global dos sistemas de saúde e a demanda das diversos grupos de stakeholders, inclusive os pacientes, exigirá das empresas farmacêuticas soluções universais e não tratamentos limitados.
Com base nesta concepção, os empresários terão de ter em mente o lucro conjunto para que seja unido forças com organizações que vão desde instituições acadêmicas, hospitais e provedores de tecnologia até fornecedores de sistemas de compliance, orientação nutricional, tratamento do estresse, fisioterapia e academias de ginástica.
Portal Indústria Brasileira - IB - Foto: Edi Pereira - Por Andressa Nascimento