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Ciro Mortella acredita em boas perspectivas no mercado farmacêutico

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Portal Indústria Brasileira - Como ocorreu a criação da Febrafarma e em que a entidade veio acrescentar ao setor industrial farmacêutico?

Ciro Mortella - A Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma) foi criada oficialmente no dia 14 de junho de 2002 e reúne 15 entidades representativas do setor, Abimip, Abrasp, Alanac, Interfarma, Pró Genéricos, Sindifar, Sindquímica, Sindusfarma, Sindusfarq, Sinfacope, Sinfar, Sinqfar, Sindifargo, Sinquifar-NP e Sinqfesc, que agrupam 267 fabricantes de medicamentos de capital nacional e estrangeiro em operação no Brasil. A missão da Febrafarma é promover uma ação coordenada das entidades que a compõem, estabelecendo um diálogo construtivo e permanente com sociedade e autoridades governamentais da área de saúde.

Portal Indústria Brasileira - Muito tem se falado em responsabilidade social em diversos setores industriais e no âmbito das indústrias farmacêuticas como este conceito é tratado?

Ciro Mortella - A indústria farmacêutica mantém um compromisso permanente com o desenvolvimento social das comunidades em que atua e também de seus colaboradores. Prova disso é que em 2007 o setor investiu R$ 74,8 milhões em ações de responsabilidade social, 15% a mais que em 2006. Estavam em andamento 582 programas, que beneficiavam 30,6 milhões de pessoas.

Para compilar essas e outras informações, a Febrafarma publica anualmente o Painel Social do Setor Industrial Farmacêutico, em que são listadas todas as informações referentes aos programas de responsabilidade social desenvolvidos por laboratórios. No painel estão listadas todas as ações nas categorias Comunidade, Cultura, Educação, Meio Ambiente, Saúde, Valorização da Vida, Voluntariado e Outros.

As necessidades atendidas pelos programas mantidos pelos laboratórios são as mais diversificadas: doação de alimentos, financiamentos à pesquisa científica em estabelecimentos de ensino, doações de medicamentos, projetos de alfabetização, patrocínio de escolinhas de esporte, assistência aos idosos, programas de reabilitação física, apoio a hospitais e instituições de assistência social.

A indústria farmacêutica financia projetos de inclusão digital, reciclagem de lixo, educação ambiental, proteção de espécies ameaçadas de extinção, agricultura familiar, programas públicos de tratamento de doenças raras, de grande incidência ou endêmicas, iniciação e formação musical de jovens, apoio ao desenvolvimento de tecnologias limpas, proteção de reservas florestais etc. No mês de junho, as estatísticas apontaram que as vendas de medicamentos genéricos no atacado cresceram 4,13%.

Portal Indústria Brasileira - Na sua opinião, este índice representa uma estagnação das vendas de medicamentos com nomenclaturas conhecidas no mercado? Ou há espaço para ambos e isso não representa nenhum tipo de ameaça aos fabricantes?

Ciro Mortella – Após as sucessivas quedas nas vendas de medicamentos ocorridas entre os anos de 1997 e 2003, o mercado mantém a tendência de crescimento nos últimos quatro anos. Desde 2004 as vendas em unidades de medicamentos tiveram alta de cerca de 17%. A projeção da Febrafarma para 2008 é que as vendas em unidades cresçam em torno de 0,5%, atingindo um faturamento de R$ 29,8 bilhões.

Portal Indústria Brasileira - Como a Febrafarma analisa as dificuldades na exportação de medicamentos enfrentadas pelas indústrias do setor? Quais as orientações para os associados?

Ciro Mortella – Nos últimos anos as exportações de medicamentos mais que dobraram, saltando de US$ 241,8 em 2001 para US$ 745,6 no ano passado. Esse cenário tem se mantido em 2008. O que se registra no setor até agora é um cenário positivo para as exportações. De janeiro a agosto deste ano foram exportados US$ 627.631 milhões, ou 29,96% a mais que no mesmo período de 2007.

Portal Indústria Brasileira - A logística internacional e nacional é uma das questões que afetam as indústrias do setor. A Febrafarma realizou um estudo sobre o tema e gostaríamos que exemplificasse algumas ferramentas que viabilizam o transporte de mercadorias e como podem ser aplicadas pelos empresários?

Ciro Mortella - Desde 2003 a Febrafarma possui um convênio com a Infraero para um Programa de Fidelização, que tem como principal objetivo reduzir os custos de logística das cargas importadas que constem dos capítulos 29 ou 30 da NCM. Os descontos para esse tipo de operação podem variar de 70 a 94% no primeiro e segundo períodos de armazenagem nos terminais de cargas aéreas da Infraero em todo o Brasil. A entidade agora trabalha para aumentar o número de empresas do programa.

O Programa de Fidelização tem como objetivo a redução dos custos de logística das cargas importadas que constem dos capítulos 29 ou 30 da NCM. Os descontos para esse tipo de operação podem variar de 70 a 94% no primeiro e segundo período de armazenagem nos Terminais de Cargas Aéreas da Infraero em todo o Brasil.

Portal Indústria Brasileira - O que mudou no código de conduta da Febrafarma?

Ciro Mortella - O Código de Conduta estabelece diretrizes e normas de conduta das entidades filiadas à Febrafarma e à interação destas com seus diversos públicos (laboratórios, profissionais de saúde e consumidores). Ele estabelece normas que permitam a adoção de padrões uniformes, éticos e transparentes na fabricação, venda e promoção de produtos farmacêuticos junto aos diversos públicos, para que recebam medicamentos que os façam viver mais e melhor.

Recentemente o Código de Conduta passou por revisão, fruto de discussões entre as entidades filiadas à Febrafarma. As duas grandes novidades da atual versão são a criação da Câmara de Mediação e do Conselho de Ética, que vão mediar eventuais descumprimentos ou violações do previsto no código.

Portal Indústria Brasileira - Quais as expectativas e novos projetos que estão sendo preparados ainda este ano e início de 2009?

Ciro Mortella - Em 2008 a indústria farmacêutica planejou investir R$ 1,72 milhão, 14,8% a mais que no ano passado. O maior crescimento registrado em relação a 2007 está na área de Pesquisa e Desenvolvimento de novos produtos, 30%, para o qual foram destinados R$ 505,2 milhões.

Os planos de investimentos dos laboratórios contemplam ainda R$ 893,5 milhões para o aumento e a modernização da capacidade produtiva e R$ 225,4 milhões para o lançamento de novos produtos. Desde meados dos anos 1990, os investimentos da indústria farmacêutica no país somam cerca de R$ 10 bilhões.

Portal Indústria Brasileira - IB - Foto: Divulgação - Por Andressa Nascimento

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