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09 de Novembro de 2010 -A +A

Setor agropecuário emite gases de efeito estufa e remove carbono

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Um estudo do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces), da Fundação Getúlio Vargas, faz propostas para mitigar a geração de gases e garantir condição de destaque na economia. O documento mostra a ligação do setor agropecuário que remove carbono da atmosfera e fixa no solo, mas também emite gases de efeito estufa.

“O setor agropecuário no Brasil está intrinsecamente interligado com a questão climática. Se por um lado remove carbono da atmosfera e fixa-o no solo, é também o segundo setor mais emissor de gases de efeito estufa (GEE) no País, sobretudo pela atividade pecuária. É, ainda, o setor mais vulnerável às mudanças climáticas, pelo aumento da temperatura, de eventos climáticos extremos, disponibilidade hídrica etc.” O panorama traçado por Rachel Biderman, coordenadora adjunta da GVces, resume o diagnóstico do setor agropecuário no documento “Propostas empresariais de políticas públicas para uma economia de baixo carbono no Brasil”, elaborado pela plataforma Empresas pelo Clima, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces).

Vale ressaltar ainda que o documento, que será entregue à presidente eleita Dilma Rousseff, visa traçar um panorama do agronegócio e propor soluções para a mitigação na geração de gases de efeito estufa, reduzindo a vulnerabilidade do setor em relação às mudanças climáticas e garantindo sua condição de destaque na economia brasileira. O estudo foi apresentado no workshop “Caminhos Empresariais para uma Economia de Baixo Carbono”, hoje, em São Paulo.

O setor agropecuário é responsável por aproximadamente 19% das emissões do País (Ministério da Ciência e Tecnologia, 2010), atrás apenas das emissões geradas pela mudança no uso da terra e florestas (desmatamento). No total, o censo agropecuário de 2006 indicou que as atividades agrícolas, florestais e da pecuária ocuparam 16,4 milhões de pessoas e abrangeram cerca de 30% do território nacional, ou 254,6 milhões de hectares, em 2006.
As emissões da agropecuária se concentram na fermentação entérica (11% das emissões totais), sobretudo o resultante do processo digestivo do gado bovino; solos agrícolas (6%), em especial a deposição de dejetos de animais em pastagem; manejo de dejetos animais (1%), principalmente de bovinos, suínos e aves confinados; a cultura de arroz; e a queima de resíduos agrícolas (menos de 0,5% cada).

“Várias oportunidades para mitigação de GEE são apresentadas neste estudo, muitas com considerável ganho econômico para os produtores. Mas além do “que fazer”, por muitos já conhecido, a questão-chave reside no “como fazê-lo”. Para tanto, as propostas se concentram em políticas de pesquisa e desenvolvimento, de extensão rural e de capacitação dos agricultores, por um lado e, por outro, na questão do financiamento público e acesso ao crédito, que possam contribuir para o desenvolvimento de projetos de mitigação de GEE na agropecuária”, afirmou Mario Monzoni, coordenador do GVces.

Portal Industria Brasileira - IB - Foto: Ilustrativa/Divulgação

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